sexta-feira, 10 de julho de 2015

O Dente

Primeiro dia de aulas numa escola nova, com alunos novos. Como iria correr? Gostariam eles da nova teacher? Entrei na sala e pedi que nos sentássemos na manta. Ficamos todos mais próximos. Expliquei que vinha dar aulas este mês em vez da outra teacher. Disse-lhes o meu nome e quis saber o deles. Ao apresentar-se, a Leonor disse que, neste mesmo dia, tinha ficado sem um dente. Coisa normal nestas idades, mas mesmo assim fascinante para eles. Não tardou que quase todos sorrissem para mim a mostrar as janelas e as portas nos seus sorrisos. Alguns contaram ainda como tinha perdido o dentes. Pouco depois, a Leonor diz que quer mostrar o dente. Entendi que ela queria que visse a portinha que se formou na boca dela. 

- Depois, Leonor, agora vamos fazer um jogo. 

Ela deve ter insistido mais duas vezes. 

- Leonor, quando nos levantarmos e formos para as mesas tu mostras. 

De facto, mudamos de sítio e a menina pediu para mostrar o dente. Tinha de o ir buscar à mochila. Sim, ela tinha o dente guardado. Bom, perto do final da aula, quando todo o trabalho já tinha sido feito, deixei-a ir buscar o seu tesouro. 

Lá vinha ele, bem pequenino, com uma pontinha de sangue, num saco pequeno transparente. Mais parecia a prova de um crime, tal o modo de acondicionamento. 

Pensei: será que os infantários têm destes saquinhos para os meninos guardarem os seus dentes? 

Inevitavelmente, lembrei daquelas pessoas que guardam os dentes e mandam pendurá-los em colares ou brincos. Lembro-me das minhas primas terem os dentes pendurados (nos brincos) nas orelhas. Eu nunca tive e, na altura, se bem me recordo, queria ter. Mas os meus pais não achavam piada a isso. (Obrigada pais.) 

Gosto disto de lembrar, através dos meus alunos, a minha infância (e, no fundo, a de toda a gente). Parece que foi há uma vida, mas não. Depois, é bonito recordar coisas que hoje não nos passam pela cabeça. Eu lá me iria lembrar de como era perder os dentes?! Já me tinha esquecido de como era andar com o dente preso por fio e, daquela vez, em que colocaram uma linha para puxar o dito... Mesmo da moda dos dentes na ourivesaria (já passou de moda, certo?)...

Como uma coisinha tão pequena traz grandes memórias!! Histórias e mais histórias. Cheira-me que vêm ai muitas mais. O primeiro dia de aulas, na escola nova, com alunos novos, correu bem. Pelo menos eles disseram que podia voltar. 

segunda-feira, 6 de julho de 2015

Simples

Com alguma melancolia na voz a Beatriz disse:

- Eu tinha um piscina, mas ela estragou-se e o meu avô não tem dinheiro para comprar uma nova. 

Então o Gabriel, atencioso, deixa a sugestão:

- Tens de dizer ao teu avô para ter dinheiro. 

Acho que a Beatriz aceitou a dica. Acho que o avô desta menina também aceitaria de bom grado, fossem as coisas tão simples. 

sexta-feira, 3 de julho de 2015

Só eles...

Perguntar-lhes: 

What's your name?

Responderem:

My name is Sonic Azul

Isto na sala de aula e, depois, em frente a uma plateia na festa de finalistas.

segunda-feira, 29 de junho de 2015

"E o burro sou eu?!"

Estava entretida a perguntar os animais em inglês... Nisto o Hugo, olhando para o material da aula atrás de mim, diz:

- Uma zebra?!

Revisão mental: em casa tinha, efectivamente, animais na cesta que hoje trouxe para a escola; mas deixei-os lá; mais, a zebra não era um deles, apesar de ter uma...

Olhei para trás para conferir.

De facto, estava lá um animal de peluche. Estava o meu burro que também serve se estojo. 

- Ah o burro! Ó Hugo aquilo é um burro, não uma zebra. - Digo isto com um sorriso.

O Hugo parou e pôs-se a pensar. Não deve ter achado graça ao meu reparo. Mas eis que começa a rir e:

- Ah ah ah é um burro, eu sei! Apanhei-te. Apanhei-te uma pinga de leite...

- Hein?

- Estava a dizer que era uma zebra, mas eu sabia que era um burro...ah ah ah. Era só para tu olhares...

Claro Hugo. 
"E o burro sou eu?!"

quinta-feira, 25 de junho de 2015

De hoje

Fui para a aula com receio, confesso. Desde ontem estou com um inchaço na cara. Falo bem, estou bem, mas pensei que pudesse impressionar os alunos. Claro que isso não aconteceu... (Mais uma vez estava a esquecer a característica-mor da criançada, a capacidade de serem imprevisíveis!)

Comecei por estar com os mais novos, os 4 anos. Bom, de todos os "4 anos" que tenho, esta é a turminha mais sensível, mais "bébezinha". Foram entrando.... Olhei para elas - as meninas foram as primeiras a entrar - nada... Nada... Falo eu? Espero que digam alguma coisa?? 

Saudei-os e avancei:
- Olhem para mim, não notam algo diferente na teacher?
- Nãaaaao!
 
Oi? Isto não é um inchaço, é um senhor inchaço!

- Olhem para a minha cara, não estou diferente?
- Está vermelha! 

Hum...sim, é normal, andei a pé com este sol...

- Olhem aqui [apontei para o inchaço]... 
- Aaaaah!
- A minha cara está inchada, tirei um dente... Fui ao dentista... Já alguém foi ao dentista? 

A pergunta foi a minha tentativa de dispersar as caras estranhas que eles colocaram. Bom, depois veio o turbilhão de respostas:

- Siiiiiiim!
- Não!
- Já fui com a mãe, mas ela é que ia ao dentista...
- Eu lavo os dentes todos os dias para não ter de ir ao dentista! 
- Eu nunca tirei um dente!
- Eu euuuuu eu... a mãe nunca mais compra a escova! 

Adoro os meus alunos. Adoro estes comentários. 
Adoraria esmiuçar cada uma dessas respostas! Mas, pronto, não há tempo... Tinha aulas para dar, tarefas para concluírem... 

Mas - e confesso - quando o Gaspar veio, sorrateiramente, ter comigo a pedir colo, não resisti a tanta fofice. Lá o sentei no meu colo enquanto dava por concluída a aula. (Isto, para quem não está familiarizado com o universo infantil, foi um tanto perigoso. Arrisquei a ouvir mais de dez miúdos a pedir colo!) 

O grupo seguinte, mais velhos com 5 anos, não notou nada de diferente na sua professora teacher... Pelo menos não o comentaram. Também não o fiz. Já tinha percebido que o melhor é esperar pela reacção das crianças e depois agir mesmo que se desperdicem comentários preciosos!

terça-feira, 23 de junho de 2015

Uma questão de estilo !?!

Todos sentados, lado a lado, na manta. Perguntei a todos, individualmente, se queriam participar, com uma apresentação em inglês, na festa de final de ano. Se estivessem dispostos a isso tinham de responder "sim". Um aceno de cabeça não bastava. Precisava de ouvir da boca deles a concordância. Precisava também que eles sentissem que dizer que concordam é uma coisa séria, é um compromisso. 

Ouvi bastantes "sim" seguidos até... [Tinha de haver um, não é?] 

- Eu não sei se quero participar...

Ainda o Martim não tinha terminado a frase já eu estava a fazer um esforço para não rir à gargalhada. Obviamente, este menino tinha de colocar alguma interjeição... Digamos que o Martim não diz logo que sim à primeira, gosta de reflectir e depois lá se entrega a algo novo...

- Está bem, mas tens de dizer porquê.
- Eu não quero ir.
- Tudo bem, Martim, não faz mal. Mas queria que dissesses porque não queres participar. 
- Olha...olha...porque temos de ir com calças e eu quero ir de calções.

Oi??????

- Martim, eu nem sequer falei que tínhamos de levar determinada roupa...
- Pois, mas a professora Inês disse.
- Não sei de nada disso, mas tu é que sabes. Podes, pelo menos, ver o que vamos fazer e depois decidir? 
- Estaaaaá bem.

Continuei a minha busca pelas confirmações... Sim, sim, sim e mais sim e sim. No final só o Martim havia demonstrado não estar muito interessado. Mas, pouco tempo depois, chamou-me:
- Teacher, olha eu vou também.

O Martim rendeu-se mais uma vez. Espero que os ensaios corram bem e ele não volte atrás na sua palavra. Se calhar há quem possa achar que ele seja esquisito por colocar restrições ou não se entregar à primeira... Eu não penso assim, acho mesmo que demonstra carácter. Coloca as suas dúvidas (muitas delas expõe os seus medos) e, só depois, toma uma decisão. Não quero com isto dizer que os outros, os que dizem logo sim, não demonstram carácter. Nada disso. Apenas gosto de ver alguém pequeno interrogar-se e, mesmo com receio, seguir em frente. (Mesmo quando esse receio é, aparentemente, usar calças.)

sábado, 20 de junho de 2015

Morrer de Amor

Este título é, à primeira vista, muito piroooooso, mas é a verdade... Outro dia ia morrendo de amor.

Cheguei a uma escola e fui ter com os meninos todos à sala. Fui "atacada" com perguntas, pedidos e, "pior", abraços, abraços com beijos, abraços apertados que querem sufocar... 

Tentei sentar os meus alunos na manta, porque tinha de lhes falar sobre a festa de final de ano... Ui acho que foi ainda pior!! Lá me sentei para que me imitassem. Assim o fizeram, mas alguns continuaram de pé e, como macaquinhos, saltaram para cima de mim. 

Por vezes não é nada fácil gerir este afecto. Como dar atenção a todos (e não são poucos) e, no final, sair ilesa? Não é fácil retribuir esse carinho ao mesmo tempo. Espero que nenhum desses grandes queridos fique a pensar que a sua professora teacher não gosta desses gestos ou, mais grave, não gosta deles... 

Bom, esse não é mesmo o caso. Acontece apenas que há alturas na vida em que tudo o que temos de fazer é sobreviver...mesmo que seja a uma onda de coisas boas! 

quinta-feira, 18 de junho de 2015

Why I Love My Job

Numa das escolas, cujo tema da festa de finalistas é a tradição, os pais vão fazer uma marcha. Convidaram-me para madrinha da marcha. Isso significa desfilar com um arco na mão e um vestido no corpo. Vestido comprido e branco com rosas vermelhas e folhas verdes em relevo.
 
Fui ao ensaio geral provar esse figurino e fiquei mais um pouco a ver os pais trabalhar. Canção engraçada. Marcha bonita. Os miúdos vão adorar. Nem quero imaginar quando me virem (e aos professores de música) a entrar no recinto...
 
Enquanto os pais ensaiavam, brinquei um pouco com dois alunos que lá estavam, o Dinis e a Margarida. Foram para dentro da casinha do recreio. Lá dentro tinha bolas, argolas e umas correntes de plástico que davam para desmanchar. Desconfio que nessa noite começaram a olhar-me de maneira diferente. Ensinei o Dinis a equilibrar-se com uma argola na cabeça; desmanchei as correntes a pedido da Margarida. Depois brinquei com os dois. Cheguei a entrar, a pedido deles, dentro da casinha. Na parte mais alta consegui ficar de pé sem bater com a cabeça no teto da habitação. Eles ficaram admirados... Disse, então, naquela brincadeira que sou a Teacher Gigante. Eles são - os dois - o João Ratão. (Como a Margarida estava à janela chamei-lhe Carochinha e ao Dinis João Ratão, mas a Margarida também quis ser o João, porque não queria ser menina...).
 
Pouco tempo depois ouço "Teacher Gigante"... queriam mais brincadeira. E brincamos. Colocaram-me as correntes e diziam que tinha de fazer o que queriam. Danço, porque foi o que pediram. Depois trocámos de papéis. Depois foi tempo de eu ir embora.
 
Esta semana, antes da festa, vou estar com eles. Será que se vão lembrar? Será que vão querer continuar e eu vou ter de dizer que não, porque estamos em aula? Verei.
 
Às tantas vão esquecer-se (se bem que as crianças têm ótima memória), não faz mal. Eu não esqueço. É por estas pequenas experiências que amo o trabalho que tenho. Brincar, falar a sério, brincar outra vez. Inventar, ensinar, vê-los crescer. Ver-me crescer, sem deixar de ser, também eu, criança.

terça-feira, 16 de junho de 2015

Ela não vê nada...

Cantamos o Hello Teacher. Depois pedi que dissessem o nome. Um perguntava, o próximo respondia. What's your name? My name is... Assim foi. Chegou a minha vez.
- What's your name? - Perguntou-me alguém (não lembro quem).
- My name is... - Lá disse o meu nome.
Eles acham uma piada quando o faço...
- Tens o nome da outra professora! - Disse o Tiaguinho.
 
Oi??
 
Achei estranho, não estava a ver outra professora com o mesmo nome naquela escola... Então perguntei:
- Qual professora?
- A de inglês que usa óculos!
 
Pronto, estava desvendado o mistério. Essa professora era, precisamente, eu!
Nesse dia não levei os óculos, mas as lentes. Por isso, o rapaz pensou que havia duas professoras de inglês, a de óculos e a sem óculos. (Estranho tendo em conta que não era a primeira vez que eles me viam sem óculos.) 
 
De facto, os miúdos ficam confusos, por eu usar óculos ou lentes. No início expliquei-lhes que não levava óculos, mas via bem. Tinha posto nos olhos umas coisinhas chamadas lentes e, por isso, não precisava de óculos. O António percebeu, porque a mãe também usa, disse ele. O outros, bom, os outros disseram que entendiam, mas tenho as minhas dúvidas....
 
Certo dia, em determinada escola, ouço a Rita sussurrar aos colegas:
- Ela não vê nada...
- Vejo sim, menina Rita! - respondi, porque aquele comentário antevia alguma asneira.
 
Outra vez, também na mesma escola, estou a entrar na sala onde estão todos os alunos, quando ouço:
- Não trazes óculos. Já vês bem?
 
Ainda há poucos dias, noutra escola, um aluno perguntava porque uso óculos só as vezes. (Estávamos a meio do ensaio da festa de final de ano. Prometi-lhe uma explicação para depois, mas acabou por não acontecer.)
 
Não deve ser fácil para eles. Realmente, não deve. Como é teacher? Afinal vês bem ou não?! Usas os óculos só quando te apetece? Não devem os óculos ser postos sempre, todos os dias?
Pudesse eu mostrar o que são lentes de contacto e as dúvidas deles dissipariam. Mas não me parece boa ideia... Se para uma adulto ver uma lente a ser colocada (ou retirada) do olho pode ser impressionável, para uma criança... no mínimo, não recomendável...
 
Paciência, fica o mistério no ar. Ainda assim penso que eles sabem que, com ou sem óculos, estou sempre lá...a vê-los!!

sábado, 13 de junho de 2015

A Felicidade



O Martim estava naqueles dias. Não parava quieto. Não parava de falar. O rapaz estava, sem dúvida, animado. A certa altura coloco um vídeo no computador. O computador estava na cabeceira da mesa, o Martim sentado num lado, eu no outro. Expliquei o que iam ver, todos ficaram em silêncio menos - claro - o Martim. Já estava pelos cabelos... 

- Martim, pára! - Disse-lhe num tom sério de quem atingiu o limite.

O menino com o ar mais normal, mais sincero, responde:
- Ó teacher, eu estou feliz. 

: ) 

Não consegui evitar. Sorri com a resposta dele. Depois comecei a rir quase à gargalhada. Ele percebeu que teve piada e continuou:
- Estou feliz, estou feliz. Eu estou feliz.

Coloquei o ar mais composto que consegui e segui com a aula. Tinha de ser. Mesmo se pudesse responder ao Martim, ele não entenderia. É só uma criança e há coisas que só os adultos entendem. Faço-o agora: 

Sabes, Martim, é óptimo saber que estás feliz. Todas as pessoas deviam dizê-lo (quase como todas o deveriam ser). Mas isso não acontece. Ainda assim não penses, meu menino, que isso é razão para validar as tuas traquinices!! 



segunda-feira, 8 de junho de 2015

Do Céu (ao Inferno)

Os miúdos (okay, é mais as miúdas) adoram o Frozen. (Como não gostar?) Quando temos algum tempo livre, mostro-lhes algumas das canções deste filme em inglês. Numa dessas canções, passa-se a cena em os pais da Ana e da Elsa morrem. 

Os meus alunos entenderam que os pais das meninas morrem. Alguns fizeram questão de comentar. O que disseram? Frases curtas e simples, como só as crianças sabem. Do tipo, "os pais morreram". Alguns acrescentavam um ohhh", mas a coisa ficava por ai. Excepção (há sempre uma) para o episódio que vou narrar. 

Certo dia, depois de vermos o dito vídeo, uma menina lembrou que os pais da Elsa e da Ana tinham morrido, mas que não fazia mal porque estavam no céuConcordei e acrescentei que eram estrelinhas a tomar conta das filhas deles. Alguém lembrou-se dos anjinhos. 

Boa, afinal as pessoas que vão para o céu transformam-se em estrelas ou anjos?! 

Foge, professora teacher, foge antes que eles se lembrem de perguntar isso. Lá disse que eram estrelinhas e anjinhos e tentei mudar de assunto, mas ouço a palavra inferno. Quem falou? Parece-me que foi o Eduardo. 

- O que estás a dizer, Eduardo?
- Há o inferno.
- E...?
- Quem porta-se mal vai para o inferno.
- O que é o inferno?
- É um sítio que tem fogo e onde vão os que se portam mal. 

O Eduardo disse isto, como aposto, lhe disse a pessoa que lhe vendeu a ideia. Num tom sério de quem quer meter medo.  

Infelizmente, não lembro exactamente o que respondi ao Eduardo. Mas penso ter-lhe descartado essa ideia. Não gosto disso do inferno e muito menos dessas ameaças que se colocam na cabeça das crianças. 

A isso chama-se amedrontar para que as crianças façam o que os adultos querem. É um caminho fácil e cobarde. Muitas vezes também é perigoso. Por exemplo, dizer que os ciganos são maus com certeza criará nos mais novos o preconceito por esta raça. 

Não é fácil explicar a morte. É mesmo impossível, porque o que sabem os vivos disso?! Mas também não é nada fácil desmontar ideias inconcebíveis da cabeça dos miúdos, provavelmente, ditas por aqueles que os miúdos mais respeitam. 

Enfim, estar na aula a relaxar com um vídeo querido e, de repente, começar a discutir a morte (e outras questões daí decorrentes) não é como passar do céu para o inferno. Não é. Mas também não andará longe.   

sexta-feira, 5 de junho de 2015

É pró menino, É prá menina (parte 2)

I

Por altura do Natal perguntei aos meninos o que queriam que o Father Christmas colocasse no seu sapatinho. Chegou a vez do Afonso responder:
- A Princesa Sofia.
- Uma boneca da Princesa Sofia?
- Sim.
- Muito bem. E tu, Filipa?
- Um avião

Alguém exprimiu algum comentário de desaprovação? Algum comentário depreciativo sobre a escolha destes meninos?! Não. 

Ah, a Filipa e o Afonso são namorados (ou eram na época).

II

Numa outra escola, coloquei a mesma questão. O Simão - que até então mal conhecera a sua voz (era difícil arrancar-lhe uma palavra) - ficou numa excitação. Lançou-se na mesa para chamar a minha atenção e disse algo que não percebi.
- Não entendi. O que queres Simão?
- Uma cozinha!
- Uma cozinha de brincar?
- Sim!

Mais tarde lembrou-se e acrescentou:
- Também quero panelinhas.

Novamente: Alguém exprimiu algum comentário de desaprovação? Algum comentário depreciativo sobre a escolha deste menino?! Não. 


quarta-feira, 3 de junho de 2015

De hoje

Éramos três. A Iara a pintar um segundo trabalho, o Bruno ia, atrasado, no primeiro. Estava a ajudá-lo. 

A Iara começou a frequentar as aulas há pouco mais de dois meses. É uma menina esperta que fala num um tom sério, mas, dá para perceber, tem pinta de traquina. Hoje tivemos uma conversa que podia ter tido com qualquer outro miúdo. Porquê? É uma conversa com rumo improvável:

- Teacher, gosto muito do teu nome.
- Ai sim?
- Gosto de Teacher. 
- Sabes, Iara, o meu nome não é esse. O meu nome é (disse o meu nome).

Pequena pausa.

Virei costas e continuo a ajudar o Bruno. De novo a menina:
- (Diz o meu nome), sabes, gosto mesmo de vir aqui.
- Ao inglês?
- Sim, Gosto mesmo.
- Ainda bem! Também gosto muito de te ter cá. Para o ano tens de vir mais cedo. 

Nova pausa.

- Eu não quero ter pinta vermelha.
- O quê?
- Pinta vermelha.
- E porque terias?
- Quando um menino não vem à escola tem pinta vermelha no quadro.
- Aaah...Mas isso só tens se tiveres doente, porque não podes mesmo vir.
- Eu estou doente e vim.
- Que tens? Estás constipada?
- E tenho tosse!
- Isso é estar pouco doente. Muito doente é, por exemplo, ter febre. Ai não consegues mesmo vir. 
- Pois. Mas eu já vim há hora do almoço. (???) Que quer dizer thanks?
- Obrigada.
- E merci?
- Obrigada, mas em francês. 
- Merci beaucoup.
- Muito obrigada, francês. 
- Rien rien.

Sorri. Será que íamos percorrer todo o dicionário?!

- Tua sabes muitas línguas Iara.
- Também sei isto: newkbfiub fewih3 uiubefiu. (Sim, algo completamente imperceptível.)
- Aaaah....

segunda-feira, 1 de junho de 2015

É pró menino, É prá menina

O azul é dos meninos. O rosa é das meninas.
Os meninos podem pintar de azul. Os meninos não podem pintar de cor de rosa.
As meninas podem pintar com as cores que quiserem.

É assim? Não.
Deve ser assim? Obviamente que não.

Nestes dois anos de ensino tenho tido muitas e boas surpresas. Uma dessas surpresas tem a ver como as crianças (quase) não terem preconceitos.

Nas minhas aulas, quando fazemos trabalhos que exigem pintar, surgem, por vezes, estas conversas:
- O x está a pintar de cor-de-rosa?!
- E então?! - Indago eu.
- Ele é menino, o rosa é para as meninas.
- Não tem nada a ver. Eu sou menina e adoro o azul. Isso faz de mim um menino?!
- Hum... não.
 
Normalmente, tenho este diálogo com os meninos mais velhos. Acho mesmo que nunca tive com uma rapariga ou com rapazes pequenos, isto pode querer dizer alguma/muita coisa....
 
Outra curiosidade é já ter acontecido o miúdo indignado acabar por pintar também com essa cor. Isto também tem muito que se lhe diga...
 
Hoje, depois de meses com estas crianças, se indignações deste tipo surgem, são os próprios colegas a responderam ao "indignadinho". Só abro a boca para mostrar concordância.
 
O que me deixa feliz no meio disto tudo é ver como uma simples justificação os satisfaz. Basta fazê-los pensar um pouco para matar uma espécie de bicho-preconceito que estava a nascer naquelas cabeças. Eles entendem e seguem em frente sem qualquer problema.
 
É por estas (e por outras) que a minha teoria tem cada vez mais força. Essa teoria é de que quanto mais velhos ficamos, mais nos estragamos. Deixamos que a nossa cabeça se mine por certos bichinhos (preconceitos, infelizmente, estão incluídos)!
 
Espero, com sinceridade, que neste dia das crianças nos lembremos do que é ser criança e, já agora, que possamos todos os dias regressar a essa parte de nós. Tenho para mim que a nossa parte infantil é muito mais do que gostar de brincar ou até de fazer birras (sim, porque nós adultos também temos as nossas birras). A nossa criança é a liberdade de ser feliz com pouco, com o essencial. De ver o que realmente faz bem e isso, felizmente, também é pró menino e prá menina.

quinta-feira, 28 de maio de 2015

Not So Dear Family

A propósito das aulas sobre a family, mostrei um episódio do Ruca intitulado "A Rosita incomoda o Ruca". Ora, como se adivinha, nessa história a irmã do miúdo chateou-o. Então, quis saber se os meus alunos aborrecem-se com os seus brothers ou sisters. Logo percebi que não.
 
Estranho? Não se considerarmos que não são os irmãos deles que os chateiam, são antes os meus alunos que enervam os seus irmãos.

Mas a coisa muda de figura com os pais. Os meus alunos - pobrezinhos - têm certos aborrecimentos para com os progenitores. Atentem:

I

- E tu, Gui, a tua sister chateia-te?
- Sim...
- Porquê?
- Não quer brincar comigo... O pai também se chateia com ela.... É..., mas o pai a mim diz "não aviso duas vezes", mas a ela avisa!!

II

- Mais alguém se chateia com o father ou a mother?
O Tiaguinho levanta o dedo.
- Com quem te zangas?
- Com a mãe.
- Porquê?
- Eu quero comer bolachas de chocolate todos os dias ao pequeno-almoço e ela não deixa!
- Claro que não! A tua mãe é muito tua amiga, porque isso faz muito mal.
- Mas eu quero comer todos os dias...e ao sábado, domingo...

III
 
O Martim também se chateia com a mãe.
- Ela não me deixa estar sozinho na varanda.
- Claro, Martim, é perig...
Sou interrompida pelo Afonso que termina a minha frase:
- É perigoso....
- Pois é, Afonso.
Ora, o Martim coloca a sua cara mais indignada (porque não gostou nada que o Afonso metesse o bedelho ainda para mais contra ele) e diz:
- É...é... A casa da minha prima Bea tem varanda e eu vi-te lá Afonso...
 
O último episódio não é sobre um miúdo zangado com alguém da família. É antes acerca de uma constatação que, ainda que verdadeira, pode levar alguém a ficar incomodado...
 
Disse que iam aprender a dizer avô em inglês e um miúdo levanta o dedo a pedir para falar. Dou-lhe a palavra e ele diz:
- Sabes, o avô tem uma barriga muito gorda!
Ao mesmo tempo que o dizia fazia a forma da barriga com as mãos.
 
Se alguma lição se pode retirar destas cenas é a de que as crianças são muito mais perspicazes do que nós, por vezes, pensamos que elas são (e queremos que elas sejam!).

De hoje

Teacher: O que é que vocês ainda não fizeram hoje?
Gonçalo: Portar-nos bem.
 
Quem diz a verdade não merece castigo.

quinta-feira, 21 de maio de 2015

Dear family...

Houve toooodo um mês dedicado à família, melhor dizendo, ao vocabulário sobre a família. 
 
Mother, father, sister, brother, grandmother and grandfather....

De mil e uma maneiras apresentei este vocabulários aos miúdos... Numa dessas vezes, perguntei a todos os nomes dos seus familiares. Por exemplo: Gustavo, qual o nome da tua mother? E da tua grandmother?  
 
As respostas dignas de registo:

I
 
Os mais velhos sabem o nome de todos estes parente. Alguns até sabem dizer, no caso dos pais, os seus nomes completos. ADORAM fazê-lo ao melhor estilo: olhem para mim que sou tão crescido.

Nem todos os mais pequenos sabem o nome dos avós... Muitos dizem que o nome da avó é...avó!! Ora, claro....Mas há um episódio que achei, particularmente, piada. 
 
- Márcio como chama o teu brother?
Silêncio. A cara de espanto do Márcio virada para mim.
Okay...ele tem 3 anos, começou o inglês mais tarde que os outros miúdos, bora dar um desconto.
- Qual é o nome do teu irmão?
- Mano.
- Sim, Márcio, qual é o nome do teu irmão...
- Mano.
A auxiliar interrompe:
- Ele acha que o nome do irmão é mano, deve ser o que lhe chamam em casa.. Quando ele chegou cá e perguntávamos o nome, ele dizia "filhinho", porque é assim que a mãe o chama em casa...
 
= )
 
II

Adorei a resposta do Gustavo quando lhe perguntei o nome do father e ele, prontamente, respondeu:
- Eu tenho dois fathers, o father Zé e o father Tiago...
Na verdade, o Gonçalo tem um father, mas trata de igual modo o marido da mãe. Tão bonito! 
 
<3
III

Perguntar os nomes dos avós e obter, por exemplo, estas respostas:
- D. Guida
- Sr. Fernando.
- D. Amelinha
Haja respeitinho pelos avós! 

terça-feira, 19 de maio de 2015

Onde está o Benfica? Ou o Azul Porto

Depois de um fim de semana de fortes emoções no futebol nacional, resgato um texto sobre (a beleza) a bola. Escrevi este texto, num outro blogue, a 3 de Junho de 2014. Ei-lo:
 
Quase a chegar ao final do ano lectivo, posso falar das preferências dos meus alunos no que toca a assuntos de futebol. Não vou dizer que a maioria dos miúdos são deste ou daquele clube porque, obviamente, não ando a fazer inquéritos sobre o assunto. Prefiro tirar outras conclusões.
Noto que muito dos rapazes gostam de escrever o nome com a cor do clube. Outro dia, um menino procurava o vermelho, mas em vez de perguntar por esta cor dizia: onde está o Benfica? 
 
Mas não se pense que apenas os benfiquistas têm destas saídas. Os fãs do Futebol Clube do Porto referem-se quase sempre à cor azul como o azul Porto. Estas palavras, estes episódios encantam-me. Porém, outras cenas por vezes inquietam e preocupam.

Quando ouço uma criança a referir-se ao clube rival com rancor, nojo. Há uma semana, uma menina disse mesmo com escárnio: “detesto o Benfica” e, claro, não sabia explicar porquê. Pensei então de onde viria aquele comentário. Não é difícil de adivinhar. Uma criança de três, quatro ou cinco anos não percebe de futebol para formar preferências, muito menos criar rancores. Tudo lhe é plantado pelos pais ou por outras referências próximas. Tudo o que é bom, mas também tudo o que é mau. Com ou sem intenção.

É triste ver alguém tão novo mover-se com pequenos ódios. Os pais deviam tentar não passar isso para os filhos. O ideal era os próprios pais não se deixarem levar em demasia pela grande paixão que é o futebol. Com demasia refiro-me à parte menos boa. Talvez fosse bom tentar passar que o futebol pode sim ser uma paixão, mas é antes de tudo o resto, futebol. Um jogo em equipa que serve para entreter, não para sofrer. É óptimo ter um clube, mas é ainda melhor saber viver bem dentro dele. Aprender a ganhar e, sobretudo, saber perder.

Que continuem os vermelhos Benfica, os azuis Porto e todas as outras cores. É bom vê-los crescer e a formar gostos e paixões. Ainda melhor seria aprender a gostar de um clube, respeitando outros. Afinal, já se sabe que é de pequenino… 

domingo, 17 de maio de 2015

Embalagens

I
 
Certa aula levei um balde de iogurte grego (1kg) vazio para colocar as aparas dos lápis de pintar. Pergunta o Zé Pedro:
- Isso é de iogurte?!
- Sim, é...era, porque agora já não tem nada lá dentro, ora vê. 
- Foste tu que comeste?
- Sim.
- Todo de uma vez??? 
 
Não meu querido. A professora teacher não come 1kg de iogurte de uma vez. Peço desculpa se dei essa impressão. 
 
II
 
Noutra aula, levei os lápis de colorir numa caixa de sapatos Hush Puppies. Como sabem, esta marca é representada por um cão. Quando tirava os lápis da caixa os miúdos viram a imagem desse cão e começaram com comentários...
- Ó que lindo...!!
- Que fofinho...
- Ele vinha ai dentro? - pergunta o José Pedro.
- Não! Então, não se pode colocar os animais em caixas, porque eles precisam de ar para respirar... Tu gostavas de andar dentro de uma caixa, Zé?
- Gostava! 

Adoro estes engraçadinhos que morrem por responder mesmo que seja asneira... Um clássico nas escolas, talvez mesmo uma clássico na vida!

quinta-feira, 14 de maio de 2015

Pragmatismo

Se eu tivesse dúvidas sobre o pragmatismo das crianças, estas seriam dissipadas neste episódio:

Não recordo qual era o exercício. Penso que seria uma ficha para colorir... Estávamos a iniciar esse trabalhinho quando o Gonçalo chamou por e disse: 
- Teacher, eu não quero fazer isto...
- Então porquê Gonçalo? - Estranhei esta atitude, porque é um miúdo que nunca se recusou a trabalhar.
- Não me apetece...
- Então tu não queres aprender inglês?!
- Eu não preciso de vir ao inglês para saber o inglês. O meu tio ensina-me.
(Se não me  engano, o tio está/esteve emigrado nos E.U.A.)
- Então, porque hoje vieste ao inglês?
- Porque a minha mãe teve de ir trabalhar. O pai também e eu não podia ficar sozinho em casa. Então vim à escola.

Lição: quando faltar a motivação para o que quer que seja, vou só pelo pragmatismo da vida. Sempre se vai...

P.S. Claro que, depois daquela resposta, a Professora Teacher fez a conversinha do "na escola podes aprender mais, brincar com outros meninos, ver coisas novas" e, pronto, como bom e inteligente menino que é o Gonçalo rendeu-se. Trabalhou até ao fim como deve ser. É o que interessa, no final. 
 

segunda-feira, 11 de maio de 2015

Facebook

Tenho um aluno que parece um mini-adulto pelo corte de cabelo, pelas roupas que veste e até pela conversa, por vezes, séria que tem. Talvez devido à sua queda para a maioridade, ele adora falar do Facebook (isto se admitirmos que os adultos adoram falar desta rede) 

Da última vez o miúdo perguntou-me:
- Sabes que eu tenho Facebook? 
- Sei, já me disseste uma vez.- Respondi desconfiando o rumo da conversa...
- Se quiseres eu digo-te o meu nome lá, mas não te digo a minha passe! - Já na outra conversa veio com a mesma história.
- Acho muito bem que não! As palavras-passe não se dizem a ninguém!

Ao fundo, começo a ouvir algumas vozes:
- Eu sei a passe dele, ele contou-nos... - Ignorei, caso contrário, em segundos ficaria a saber a senha do rapaz.

- É o meu pai que lá vai... Eu pedi-lhe "quero estar no Facebook, quero estar no Facebook! Quero estar no Facebook, quero estar no Facebook!" Então ele fez-me o Facebook. 

Aaaahh... 

Isto é ser pai? Deixar-se vencer pelo cansaço? 
Quero crer que...nem sempre, nem sempre. 
Uma coisa parece certa, pelo menos neste caso, a persistência parece ser coisa dos filhos. 

sexta-feira, 8 de maio de 2015

"Teacher, tens um dente torto!?!"

Professora Teacher foi ao dentista e, embora não tenha lá estado todo o dia, esteve o tempo suficiente para tecer toooooda uma publicação que, claro, mete a criançada ao barulho.

Dentista + miudagem = uma reflexão 
[Já não fazia estes "cálculos" elaboradíssimos há séculos!!]

Então, fui ao dentista, a uma nova dentista para ser mais precisa. Ainda não estava sentada na cadeira, já ela perguntava: "para quando o aparelho?" ´
Pois. Ela topou logo que estes dentinhos precisam de arranjo. 
Respondi-lhe qualquer coisa como "vamos ver, um dia..." Essa parte da conversa ficou por ai, mas este cérebro continuou a pensar naquilo... Irremediavelmente, lembrei-me dos meus alunos. 

Alguns miúdos já notaram que tenho um dente mais saliente. Por isso, já os ouvi, com cara de espanto, proferir:

- Teacher, tens uma coisa na boca....

ou

- Olha, tens um dente torto!? 

Confesso que, antes de aceitar este trabalho, tinha medo disto. Não dos comentários sobre a minha dentição (nem me lembrei disso!), mas sobre esta frontalidade/verdade infantil. Os miúdos não se fazem de rogados quando têm algo para dizer (e isso tanto pode ser óptimo como péssimo). 

Bom, nessa altura (em que o universo infantil era completamente desconhecido para mim) estava com receio daquilo que poderia ouvir deles. Estaria preparada? Como iria reagir? 

Não poderia ser esse medinho a proibir-me de embarcar numa nova (e desconhecida e aterradora e maravilhosa) jornada profissional. Efectivamente, soube desde logo que o problema era meu, não deles. Eu é que teria de me adaptar, saber viver com os comentários dos outros (crianças incluídas). 

Vai daí mentalizei-me com o "seja o que Deus quiser" e lá fui eu, aceitei o emprego. 

Penso que logo na primeira semana, uma miúda falou-me do dente. Fiz de conta que não ouvi e segui em frente. Claro que fiquei a pensar naquilo, "seus sacaninhas, vocês vão pegar por ai...". Não me dei ao trabalho de ensaiar reacções, mas com o tempo, sem saber, fui ensaiando uma resposta. 

Como nunca tinha trabalho com crianças, tive de aprender, preparar-me. Falei (e ainda falo) com quem tem mais experiência do que eu, leio sobre eles e, sobretudo, procuro analisá-los todos os dias. Enfim, acho que tudo isto resultou na criação das melhores respostas possíveis. 

Mas, no que concerne às questões da dentição, já tenho A resposta oficial, porque funciona tãaaao bem. 

- Teacher, tu tens um dente torto?!
- Oh, a sério? Nunca tinha reparado! Obrigado por teres dito.

E, assim, o miúdo fica contente por ter ajudado a sua teacher querida a descobrir um dente maroto. (Porque os miúdos quando fazem este tipo de comentários não é por maldade.) E, sobretudo, a Teacher sai mais descansada, porque a conversa fica por ai. 

Agora, a professora teacher pergunta a si própria: será que posso usar essa resposta com os adultos?! Em relação aos dentes, em relação a qualquer comentário que, normalmente, surge sem qualquer tipo de inocência...

terça-feira, 5 de maio de 2015

My name is...

Hello

My name is Professora Teacher. 

Alguns dos meus alunos pensavam que o nome da professora de inglês era Teacher. De facto, alguns miúdos ainda hoje pensam que esse é o meu nome (por muito que lhes tente explicar que, como eles, tenho um nome próprio). 

Então, a Professora Teacher ensina meninos do pré-escolar, ou seja, pequenas criaturas (por vezes amorosas, por vezes diabólicas), com 3, 4 e 5 anos. Uma aventura de dois anos carregados de peripécias e verdadeiras pérolas. Afinal, (quase) tudo o que sai da boca de um miúdo merece registo!

Ora, a Professora Teacher começou por contar esses momentos aos amigos que, por sua vez, incentivaram a criação deste blogue. Vamos ver como corre... Afinal, breve termina mais um ano lectivo. Mas a Teacher vai tentar abstrair-se disso e apresentar o maravilhoso (e louco e encantador e mágico) mundo das aulas de inglês do infantário. 

Goodbye, Teacher

P.S. As aulas da Professora Teacher começam sempre com a canção "Hello Teacher" e terminam com o clássico "Goodbye Teacher" (ou, novamente, Hello Teacher, para os mais distraídos).