sexta-feira, 8 de maio de 2015

"Teacher, tens um dente torto!?!"

Professora Teacher foi ao dentista e, embora não tenha lá estado todo o dia, esteve o tempo suficiente para tecer toooooda uma publicação que, claro, mete a criançada ao barulho.

Dentista + miudagem = uma reflexão 
[Já não fazia estes "cálculos" elaboradíssimos há séculos!!]

Então, fui ao dentista, a uma nova dentista para ser mais precisa. Ainda não estava sentada na cadeira, já ela perguntava: "para quando o aparelho?" ´
Pois. Ela topou logo que estes dentinhos precisam de arranjo. 
Respondi-lhe qualquer coisa como "vamos ver, um dia..." Essa parte da conversa ficou por ai, mas este cérebro continuou a pensar naquilo... Irremediavelmente, lembrei-me dos meus alunos. 

Alguns miúdos já notaram que tenho um dente mais saliente. Por isso, já os ouvi, com cara de espanto, proferir:

- Teacher, tens uma coisa na boca....

ou

- Olha, tens um dente torto!? 

Confesso que, antes de aceitar este trabalho, tinha medo disto. Não dos comentários sobre a minha dentição (nem me lembrei disso!), mas sobre esta frontalidade/verdade infantil. Os miúdos não se fazem de rogados quando têm algo para dizer (e isso tanto pode ser óptimo como péssimo). 

Bom, nessa altura (em que o universo infantil era completamente desconhecido para mim) estava com receio daquilo que poderia ouvir deles. Estaria preparada? Como iria reagir? 

Não poderia ser esse medinho a proibir-me de embarcar numa nova (e desconhecida e aterradora e maravilhosa) jornada profissional. Efectivamente, soube desde logo que o problema era meu, não deles. Eu é que teria de me adaptar, saber viver com os comentários dos outros (crianças incluídas). 

Vai daí mentalizei-me com o "seja o que Deus quiser" e lá fui eu, aceitei o emprego. 

Penso que logo na primeira semana, uma miúda falou-me do dente. Fiz de conta que não ouvi e segui em frente. Claro que fiquei a pensar naquilo, "seus sacaninhas, vocês vão pegar por ai...". Não me dei ao trabalho de ensaiar reacções, mas com o tempo, sem saber, fui ensaiando uma resposta. 

Como nunca tinha trabalho com crianças, tive de aprender, preparar-me. Falei (e ainda falo) com quem tem mais experiência do que eu, leio sobre eles e, sobretudo, procuro analisá-los todos os dias. Enfim, acho que tudo isto resultou na criação das melhores respostas possíveis. 

Mas, no que concerne às questões da dentição, já tenho A resposta oficial, porque funciona tãaaao bem. 

- Teacher, tu tens um dente torto?!
- Oh, a sério? Nunca tinha reparado! Obrigado por teres dito.

E, assim, o miúdo fica contente por ter ajudado a sua teacher querida a descobrir um dente maroto. (Porque os miúdos quando fazem este tipo de comentários não é por maldade.) E, sobretudo, a Teacher sai mais descansada, porque a conversa fica por ai. 

Agora, a professora teacher pergunta a si própria: será que posso usar essa resposta com os adultos?! Em relação aos dentes, em relação a qualquer comentário que, normalmente, surge sem qualquer tipo de inocência...

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