segunda-feira, 1 de junho de 2015

É pró menino, É prá menina

O azul é dos meninos. O rosa é das meninas.
Os meninos podem pintar de azul. Os meninos não podem pintar de cor de rosa.
As meninas podem pintar com as cores que quiserem.

É assim? Não.
Deve ser assim? Obviamente que não.

Nestes dois anos de ensino tenho tido muitas e boas surpresas. Uma dessas surpresas tem a ver como as crianças (quase) não terem preconceitos.

Nas minhas aulas, quando fazemos trabalhos que exigem pintar, surgem, por vezes, estas conversas:
- O x está a pintar de cor-de-rosa?!
- E então?! - Indago eu.
- Ele é menino, o rosa é para as meninas.
- Não tem nada a ver. Eu sou menina e adoro o azul. Isso faz de mim um menino?!
- Hum... não.
 
Normalmente, tenho este diálogo com os meninos mais velhos. Acho mesmo que nunca tive com uma rapariga ou com rapazes pequenos, isto pode querer dizer alguma/muita coisa....
 
Outra curiosidade é já ter acontecido o miúdo indignado acabar por pintar também com essa cor. Isto também tem muito que se lhe diga...
 
Hoje, depois de meses com estas crianças, se indignações deste tipo surgem, são os próprios colegas a responderam ao "indignadinho". Só abro a boca para mostrar concordância.
 
O que me deixa feliz no meio disto tudo é ver como uma simples justificação os satisfaz. Basta fazê-los pensar um pouco para matar uma espécie de bicho-preconceito que estava a nascer naquelas cabeças. Eles entendem e seguem em frente sem qualquer problema.
 
É por estas (e por outras) que a minha teoria tem cada vez mais força. Essa teoria é de que quanto mais velhos ficamos, mais nos estragamos. Deixamos que a nossa cabeça se mine por certos bichinhos (preconceitos, infelizmente, estão incluídos)!
 
Espero, com sinceridade, que neste dia das crianças nos lembremos do que é ser criança e, já agora, que possamos todos os dias regressar a essa parte de nós. Tenho para mim que a nossa parte infantil é muito mais do que gostar de brincar ou até de fazer birras (sim, porque nós adultos também temos as nossas birras). A nossa criança é a liberdade de ser feliz com pouco, com o essencial. De ver o que realmente faz bem e isso, felizmente, também é pró menino e prá menina.

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