quinta-feira, 28 de maio de 2015

Not So Dear Family

A propósito das aulas sobre a family, mostrei um episódio do Ruca intitulado "A Rosita incomoda o Ruca". Ora, como se adivinha, nessa história a irmã do miúdo chateou-o. Então, quis saber se os meus alunos aborrecem-se com os seus brothers ou sisters. Logo percebi que não.
 
Estranho? Não se considerarmos que não são os irmãos deles que os chateiam, são antes os meus alunos que enervam os seus irmãos.

Mas a coisa muda de figura com os pais. Os meus alunos - pobrezinhos - têm certos aborrecimentos para com os progenitores. Atentem:

I

- E tu, Gui, a tua sister chateia-te?
- Sim...
- Porquê?
- Não quer brincar comigo... O pai também se chateia com ela.... É..., mas o pai a mim diz "não aviso duas vezes", mas a ela avisa!!

II

- Mais alguém se chateia com o father ou a mother?
O Tiaguinho levanta o dedo.
- Com quem te zangas?
- Com a mãe.
- Porquê?
- Eu quero comer bolachas de chocolate todos os dias ao pequeno-almoço e ela não deixa!
- Claro que não! A tua mãe é muito tua amiga, porque isso faz muito mal.
- Mas eu quero comer todos os dias...e ao sábado, domingo...

III
 
O Martim também se chateia com a mãe.
- Ela não me deixa estar sozinho na varanda.
- Claro, Martim, é perig...
Sou interrompida pelo Afonso que termina a minha frase:
- É perigoso....
- Pois é, Afonso.
Ora, o Martim coloca a sua cara mais indignada (porque não gostou nada que o Afonso metesse o bedelho ainda para mais contra ele) e diz:
- É...é... A casa da minha prima Bea tem varanda e eu vi-te lá Afonso...
 
O último episódio não é sobre um miúdo zangado com alguém da família. É antes acerca de uma constatação que, ainda que verdadeira, pode levar alguém a ficar incomodado...
 
Disse que iam aprender a dizer avô em inglês e um miúdo levanta o dedo a pedir para falar. Dou-lhe a palavra e ele diz:
- Sabes, o avô tem uma barriga muito gorda!
Ao mesmo tempo que o dizia fazia a forma da barriga com as mãos.
 
Se alguma lição se pode retirar destas cenas é a de que as crianças são muito mais perspicazes do que nós, por vezes, pensamos que elas são (e queremos que elas sejam!).

De hoje

Teacher: O que é que vocês ainda não fizeram hoje?
Gonçalo: Portar-nos bem.
 
Quem diz a verdade não merece castigo.

quinta-feira, 21 de maio de 2015

Dear family...

Houve toooodo um mês dedicado à família, melhor dizendo, ao vocabulário sobre a família. 
 
Mother, father, sister, brother, grandmother and grandfather....

De mil e uma maneiras apresentei este vocabulários aos miúdos... Numa dessas vezes, perguntei a todos os nomes dos seus familiares. Por exemplo: Gustavo, qual o nome da tua mother? E da tua grandmother?  
 
As respostas dignas de registo:

I
 
Os mais velhos sabem o nome de todos estes parente. Alguns até sabem dizer, no caso dos pais, os seus nomes completos. ADORAM fazê-lo ao melhor estilo: olhem para mim que sou tão crescido.

Nem todos os mais pequenos sabem o nome dos avós... Muitos dizem que o nome da avó é...avó!! Ora, claro....Mas há um episódio que achei, particularmente, piada. 
 
- Márcio como chama o teu brother?
Silêncio. A cara de espanto do Márcio virada para mim.
Okay...ele tem 3 anos, começou o inglês mais tarde que os outros miúdos, bora dar um desconto.
- Qual é o nome do teu irmão?
- Mano.
- Sim, Márcio, qual é o nome do teu irmão...
- Mano.
A auxiliar interrompe:
- Ele acha que o nome do irmão é mano, deve ser o que lhe chamam em casa.. Quando ele chegou cá e perguntávamos o nome, ele dizia "filhinho", porque é assim que a mãe o chama em casa...
 
= )
 
II

Adorei a resposta do Gustavo quando lhe perguntei o nome do father e ele, prontamente, respondeu:
- Eu tenho dois fathers, o father Zé e o father Tiago...
Na verdade, o Gonçalo tem um father, mas trata de igual modo o marido da mãe. Tão bonito! 
 
<3
III

Perguntar os nomes dos avós e obter, por exemplo, estas respostas:
- D. Guida
- Sr. Fernando.
- D. Amelinha
Haja respeitinho pelos avós! 

terça-feira, 19 de maio de 2015

Onde está o Benfica? Ou o Azul Porto

Depois de um fim de semana de fortes emoções no futebol nacional, resgato um texto sobre (a beleza) a bola. Escrevi este texto, num outro blogue, a 3 de Junho de 2014. Ei-lo:
 
Quase a chegar ao final do ano lectivo, posso falar das preferências dos meus alunos no que toca a assuntos de futebol. Não vou dizer que a maioria dos miúdos são deste ou daquele clube porque, obviamente, não ando a fazer inquéritos sobre o assunto. Prefiro tirar outras conclusões.
Noto que muito dos rapazes gostam de escrever o nome com a cor do clube. Outro dia, um menino procurava o vermelho, mas em vez de perguntar por esta cor dizia: onde está o Benfica? 
 
Mas não se pense que apenas os benfiquistas têm destas saídas. Os fãs do Futebol Clube do Porto referem-se quase sempre à cor azul como o azul Porto. Estas palavras, estes episódios encantam-me. Porém, outras cenas por vezes inquietam e preocupam.

Quando ouço uma criança a referir-se ao clube rival com rancor, nojo. Há uma semana, uma menina disse mesmo com escárnio: “detesto o Benfica” e, claro, não sabia explicar porquê. Pensei então de onde viria aquele comentário. Não é difícil de adivinhar. Uma criança de três, quatro ou cinco anos não percebe de futebol para formar preferências, muito menos criar rancores. Tudo lhe é plantado pelos pais ou por outras referências próximas. Tudo o que é bom, mas também tudo o que é mau. Com ou sem intenção.

É triste ver alguém tão novo mover-se com pequenos ódios. Os pais deviam tentar não passar isso para os filhos. O ideal era os próprios pais não se deixarem levar em demasia pela grande paixão que é o futebol. Com demasia refiro-me à parte menos boa. Talvez fosse bom tentar passar que o futebol pode sim ser uma paixão, mas é antes de tudo o resto, futebol. Um jogo em equipa que serve para entreter, não para sofrer. É óptimo ter um clube, mas é ainda melhor saber viver bem dentro dele. Aprender a ganhar e, sobretudo, saber perder.

Que continuem os vermelhos Benfica, os azuis Porto e todas as outras cores. É bom vê-los crescer e a formar gostos e paixões. Ainda melhor seria aprender a gostar de um clube, respeitando outros. Afinal, já se sabe que é de pequenino… 

domingo, 17 de maio de 2015

Embalagens

I
 
Certa aula levei um balde de iogurte grego (1kg) vazio para colocar as aparas dos lápis de pintar. Pergunta o Zé Pedro:
- Isso é de iogurte?!
- Sim, é...era, porque agora já não tem nada lá dentro, ora vê. 
- Foste tu que comeste?
- Sim.
- Todo de uma vez??? 
 
Não meu querido. A professora teacher não come 1kg de iogurte de uma vez. Peço desculpa se dei essa impressão. 
 
II
 
Noutra aula, levei os lápis de colorir numa caixa de sapatos Hush Puppies. Como sabem, esta marca é representada por um cão. Quando tirava os lápis da caixa os miúdos viram a imagem desse cão e começaram com comentários...
- Ó que lindo...!!
- Que fofinho...
- Ele vinha ai dentro? - pergunta o José Pedro.
- Não! Então, não se pode colocar os animais em caixas, porque eles precisam de ar para respirar... Tu gostavas de andar dentro de uma caixa, Zé?
- Gostava! 

Adoro estes engraçadinhos que morrem por responder mesmo que seja asneira... Um clássico nas escolas, talvez mesmo uma clássico na vida!

quinta-feira, 14 de maio de 2015

Pragmatismo

Se eu tivesse dúvidas sobre o pragmatismo das crianças, estas seriam dissipadas neste episódio:

Não recordo qual era o exercício. Penso que seria uma ficha para colorir... Estávamos a iniciar esse trabalhinho quando o Gonçalo chamou por e disse: 
- Teacher, eu não quero fazer isto...
- Então porquê Gonçalo? - Estranhei esta atitude, porque é um miúdo que nunca se recusou a trabalhar.
- Não me apetece...
- Então tu não queres aprender inglês?!
- Eu não preciso de vir ao inglês para saber o inglês. O meu tio ensina-me.
(Se não me  engano, o tio está/esteve emigrado nos E.U.A.)
- Então, porque hoje vieste ao inglês?
- Porque a minha mãe teve de ir trabalhar. O pai também e eu não podia ficar sozinho em casa. Então vim à escola.

Lição: quando faltar a motivação para o que quer que seja, vou só pelo pragmatismo da vida. Sempre se vai...

P.S. Claro que, depois daquela resposta, a Professora Teacher fez a conversinha do "na escola podes aprender mais, brincar com outros meninos, ver coisas novas" e, pronto, como bom e inteligente menino que é o Gonçalo rendeu-se. Trabalhou até ao fim como deve ser. É o que interessa, no final. 
 

segunda-feira, 11 de maio de 2015

Facebook

Tenho um aluno que parece um mini-adulto pelo corte de cabelo, pelas roupas que veste e até pela conversa, por vezes, séria que tem. Talvez devido à sua queda para a maioridade, ele adora falar do Facebook (isto se admitirmos que os adultos adoram falar desta rede) 

Da última vez o miúdo perguntou-me:
- Sabes que eu tenho Facebook? 
- Sei, já me disseste uma vez.- Respondi desconfiando o rumo da conversa...
- Se quiseres eu digo-te o meu nome lá, mas não te digo a minha passe! - Já na outra conversa veio com a mesma história.
- Acho muito bem que não! As palavras-passe não se dizem a ninguém!

Ao fundo, começo a ouvir algumas vozes:
- Eu sei a passe dele, ele contou-nos... - Ignorei, caso contrário, em segundos ficaria a saber a senha do rapaz.

- É o meu pai que lá vai... Eu pedi-lhe "quero estar no Facebook, quero estar no Facebook! Quero estar no Facebook, quero estar no Facebook!" Então ele fez-me o Facebook. 

Aaaahh... 

Isto é ser pai? Deixar-se vencer pelo cansaço? 
Quero crer que...nem sempre, nem sempre. 
Uma coisa parece certa, pelo menos neste caso, a persistência parece ser coisa dos filhos. 

sexta-feira, 8 de maio de 2015

"Teacher, tens um dente torto!?!"

Professora Teacher foi ao dentista e, embora não tenha lá estado todo o dia, esteve o tempo suficiente para tecer toooooda uma publicação que, claro, mete a criançada ao barulho.

Dentista + miudagem = uma reflexão 
[Já não fazia estes "cálculos" elaboradíssimos há séculos!!]

Então, fui ao dentista, a uma nova dentista para ser mais precisa. Ainda não estava sentada na cadeira, já ela perguntava: "para quando o aparelho?" ´
Pois. Ela topou logo que estes dentinhos precisam de arranjo. 
Respondi-lhe qualquer coisa como "vamos ver, um dia..." Essa parte da conversa ficou por ai, mas este cérebro continuou a pensar naquilo... Irremediavelmente, lembrei-me dos meus alunos. 

Alguns miúdos já notaram que tenho um dente mais saliente. Por isso, já os ouvi, com cara de espanto, proferir:

- Teacher, tens uma coisa na boca....

ou

- Olha, tens um dente torto!? 

Confesso que, antes de aceitar este trabalho, tinha medo disto. Não dos comentários sobre a minha dentição (nem me lembrei disso!), mas sobre esta frontalidade/verdade infantil. Os miúdos não se fazem de rogados quando têm algo para dizer (e isso tanto pode ser óptimo como péssimo). 

Bom, nessa altura (em que o universo infantil era completamente desconhecido para mim) estava com receio daquilo que poderia ouvir deles. Estaria preparada? Como iria reagir? 

Não poderia ser esse medinho a proibir-me de embarcar numa nova (e desconhecida e aterradora e maravilhosa) jornada profissional. Efectivamente, soube desde logo que o problema era meu, não deles. Eu é que teria de me adaptar, saber viver com os comentários dos outros (crianças incluídas). 

Vai daí mentalizei-me com o "seja o que Deus quiser" e lá fui eu, aceitei o emprego. 

Penso que logo na primeira semana, uma miúda falou-me do dente. Fiz de conta que não ouvi e segui em frente. Claro que fiquei a pensar naquilo, "seus sacaninhas, vocês vão pegar por ai...". Não me dei ao trabalho de ensaiar reacções, mas com o tempo, sem saber, fui ensaiando uma resposta. 

Como nunca tinha trabalho com crianças, tive de aprender, preparar-me. Falei (e ainda falo) com quem tem mais experiência do que eu, leio sobre eles e, sobretudo, procuro analisá-los todos os dias. Enfim, acho que tudo isto resultou na criação das melhores respostas possíveis. 

Mas, no que concerne às questões da dentição, já tenho A resposta oficial, porque funciona tãaaao bem. 

- Teacher, tu tens um dente torto?!
- Oh, a sério? Nunca tinha reparado! Obrigado por teres dito.

E, assim, o miúdo fica contente por ter ajudado a sua teacher querida a descobrir um dente maroto. (Porque os miúdos quando fazem este tipo de comentários não é por maldade.) E, sobretudo, a Teacher sai mais descansada, porque a conversa fica por ai. 

Agora, a professora teacher pergunta a si própria: será que posso usar essa resposta com os adultos?! Em relação aos dentes, em relação a qualquer comentário que, normalmente, surge sem qualquer tipo de inocência...

terça-feira, 5 de maio de 2015

My name is...

Hello

My name is Professora Teacher. 

Alguns dos meus alunos pensavam que o nome da professora de inglês era Teacher. De facto, alguns miúdos ainda hoje pensam que esse é o meu nome (por muito que lhes tente explicar que, como eles, tenho um nome próprio). 

Então, a Professora Teacher ensina meninos do pré-escolar, ou seja, pequenas criaturas (por vezes amorosas, por vezes diabólicas), com 3, 4 e 5 anos. Uma aventura de dois anos carregados de peripécias e verdadeiras pérolas. Afinal, (quase) tudo o que sai da boca de um miúdo merece registo!

Ora, a Professora Teacher começou por contar esses momentos aos amigos que, por sua vez, incentivaram a criação deste blogue. Vamos ver como corre... Afinal, breve termina mais um ano lectivo. Mas a Teacher vai tentar abstrair-se disso e apresentar o maravilhoso (e louco e encantador e mágico) mundo das aulas de inglês do infantário. 

Goodbye, Teacher

P.S. As aulas da Professora Teacher começam sempre com a canção "Hello Teacher" e terminam com o clássico "Goodbye Teacher" (ou, novamente, Hello Teacher, para os mais distraídos).