sábado, 13 de junho de 2015

A Felicidade



O Martim estava naqueles dias. Não parava quieto. Não parava de falar. O rapaz estava, sem dúvida, animado. A certa altura coloco um vídeo no computador. O computador estava na cabeceira da mesa, o Martim sentado num lado, eu no outro. Expliquei o que iam ver, todos ficaram em silêncio menos - claro - o Martim. Já estava pelos cabelos... 

- Martim, pára! - Disse-lhe num tom sério de quem atingiu o limite.

O menino com o ar mais normal, mais sincero, responde:
- Ó teacher, eu estou feliz. 

: ) 

Não consegui evitar. Sorri com a resposta dele. Depois comecei a rir quase à gargalhada. Ele percebeu que teve piada e continuou:
- Estou feliz, estou feliz. Eu estou feliz.

Coloquei o ar mais composto que consegui e segui com a aula. Tinha de ser. Mesmo se pudesse responder ao Martim, ele não entenderia. É só uma criança e há coisas que só os adultos entendem. Faço-o agora: 

Sabes, Martim, é óptimo saber que estás feliz. Todas as pessoas deviam dizê-lo (quase como todas o deveriam ser). Mas isso não acontece. Ainda assim não penses, meu menino, que isso é razão para validar as tuas traquinices!! 



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