Éramos três. A Iara a pintar um segundo trabalho, o Bruno ia, atrasado, no primeiro. Estava a ajudá-lo.
A Iara começou a frequentar as aulas há pouco mais de dois meses. É uma menina esperta que fala num um tom sério, mas, dá para perceber, tem pinta de traquina. Hoje tivemos uma conversa que podia ter tido com qualquer outro miúdo. Porquê? É uma conversa com rumo improvável:
- Teacher, gosto muito do teu nome.
- Ai sim?
- Gosto de Teacher.
- Sabes, Iara, o meu nome não é esse. O meu nome é (disse o meu nome).
Pequena pausa.
Virei costas e continuo a ajudar o Bruno. De novo a menina:
- (Diz o meu nome), sabes, gosto mesmo de vir aqui.
- Ao inglês?
- Sim, Gosto mesmo.
- Ainda bem! Também gosto muito de te ter cá. Para o ano tens de vir mais cedo.
Nova pausa.
- Eu não quero ter pinta vermelha.
- O quê?
- Pinta vermelha.
- E porque terias?
- Quando um menino não vem à escola tem pinta vermelha no quadro.
- Aaah...Mas isso só tens se tiveres doente, porque não podes mesmo vir.
- Eu estou doente e vim.
- Que tens? Estás constipada?
- E tenho tosse!- Isso é estar pouco doente. Muito doente é, por exemplo, ter febre. Ai não consegues mesmo vir.
- Pois. Mas eu já vim há hora do almoço. (???) Que quer dizer thanks?
- Obrigada.
- E merci?- Obrigada, mas em francês.
- Merci beaucoup.
- Muito obrigada, francês.
- Rien rien.
Sorri. Será que íamos percorrer todo o dicionário?!
- Tua sabes muitas línguas Iara.
- Também sei isto: newkbfiub fewih3 uiubefiu. (Sim, algo completamente imperceptível.)
- Aaaah....
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